Vivendo a crise dos 20 anos.
Narrando fatos, acontecimentos e pensamentos, reais ou não, diretamente do outro lado do mundo.
Tendo a cada dia a certeza de que há algo de surreal no que se costuma chamar de realidade.
Portadora do terrível vício de ser absurdamente prolixa em toda e qualquer narração, oriunda de toda e qualquer origem.
Sofrendo da ânsia de ser literata; é no fundo uma escritora frustrada. E uma camaleoa literária.
Tem plena consciência de que há muito (e muito pouco) a ser feito.

Prazer, sou Tatiana Leutwiler!


***E atenção: Explicações sobre o título do blog, procure o post de 07/06/07. Leiam antes de me corrigirem.***



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Sexta-feira, Agosto 15, 2008

[Disritmia]

Quisera eu ser capaz de traduzir em um conto ponto por ponto da história que me vem à mente.

É um homem. Não importa nome, idade ou tempo. Sei apenas que é casado. Casado é apenas por ser. Porque não há coisa mais imposta pela sociedade do que o casamento.

E há uma mulher. Não a casada com o já dito homem. Outra mulher, uma daquelas que nos vêm à mente quando pensamos em “mulher” no sentido completo. É bela, elegante, inteligente, independente. Veste-se de vermelho, impõe-se e – por que não? – fuma.

É esta mulher o completo oposto da casada. Boa dona-de-casa, mãe e esposa são as últimas coisas que ela sonha em ser. E, por isto, é julgada.

Há ainda a dona-de-casa, embora pareça que pouco tenha-se a dizer dela. Não que seja menos do que a outra mulher desta história, apenas não possuiu a ousadia da primeira. Pode ser tão ou até mais inteligente do que a mulher que fuma, mas jamais se permitiu mostrar ou escolher. E por isto não pode ser julgada.

E eis que o já previsto acontece. O homem fica de joelhos pela mulher que fuma.

Que seja bem dito, não se trata esta de nenhuma destruidora de casamentos ou algo do tipo. Ela o atrai naturalmente, sem ter a intenção. E por ele também se atrai. E se envolvem, e se apaixonam, e se amam. Nada poderia ser mais natural.

Há apenas uma cena que me vem à cabeça, e talvez a este ponto seja necessário dizer que o citado homem é um famoso compositor que há tempos passava pela mais terrível crise criativa de sua vida.

A mulher que fuma o inebria. O hipnotiza, o maravilha. Ela é a mulher definitiva, a mulher ideal de seus sonhos de poeta. Mas há ainda a mulher casada, aquela a quem ele recorre após uma noite entregue ao spleen, à bebedeira, aos desvarios. É a mulher casada que vem a ele com uma banheira de água morna em que ele pode curar sua ressaca. É ela a mãe de seu ou seus filhos.

A mulher que fuma não o cobra. Sabe que é por ele amada, sabe de seus problemas e suas necessidades. Compreende como ninguém a mulher casada e não a julga por assim ser. Sabe que há sempre um preço a se pagar, e às vezes este preço pode ser alto demais.

Mas como já foi dito, pode bem ser que a mulher casada seja ainda mais inteligente do que a mulher que fuma. E nada passa batido aos olhos de uma mulher que cura a ressaca de seu marido. Ela sabe da mulher que fuma, e chora quieta à noite enquanto espera que o marido retorne.

São dois homens. Há o pai-marido, sisudo, semblante sério, sempre ocupado em seus papéis, escrevendo na solidão de seu escritório. E há o homem-apaixonado, o homem que ama, que ri, que chora e que à mulher que fuma mostra seus escritos e nunca descarta sua opinião.

Agora sim, a cena que me vem à cabeça. Uma pequena apresentação deste famoso e isolado compositor, uma audiência para que ele mostre seus finalmente novos trabalhos. É com este dinheiro que ele sustenta mulher e filhos.

E há na platéia as duas mulheres. A esposa-mãe, quieta e triste em seu silêncio. A mulher que fuma, discreta em sua presença, sentada ao fundo embora que ainda com um belo vestido vermelho.

E o homem então se apresenta. Uma única canção. Triste, apaixonada, dolorosa. Há em seus versos a presença intrínseca e indisfarçável das duas mulheres ali presentes.

Enfim, pela primeira vez, os dois pares de olhos femininos, úmidos e melancólicos, se encontram. Assim permanecem por minutos que parecem horas. As duas então piscam lentamente, cumprimentam-se com um aceno de cabeças e separam o olhar com dois discretos sorrisos nas faces.

"Eu quero me esconder debaixo
Dessa sua saia
Pra fugir do mundo

Pretendo também me embrenhar
No embaranhado
Desses seus cabelos

Preciso transfundir teu sangue
Pro meu coração
Que é tão vagabundo

Me deixe te trazer um dengo
Pra com um cafuné
Fazer os meus apelos

Eu quero ser exorcisado
Pela água benta
Desse olhar infindo

Que bom é ser fotografado
Mas pelas retinas
Dos seus olhos lindos

Me deixe hipnotizado
Pra acabar de vez
Com essa disritimia

Vem logo
Vem curar teu nego
Que chegou de porre
Lá da boemia"


(Disritmia - Zeca Baleiro)

por Tatiana

Desvairie Comigo
Desvairado por Mim, em 08:21

Sexta-feira, Agosto 08, 2008

Eu estava mesmo com vontade de escrever um diário de bordo organizado, com os acontecimentos em ordem cronológica. Mas, querem saber? Nem sempre acordo com aquela boa vontade de escrever sobre o que anda acontecendo por aqui. Às vezes tenho apenas vontade de escrever, delirar um pouco, sair da rotina. E, na verdade, isso é muito mais coerente com o título e o intuito deste blog. Que se dane minha lua em Virgem, meu sol em Leão continua sendo mais forte, ainda mais estando nós todos passeando por minha casa astral. Pois que fico mais velha em uma semana, e não me importa mais nada.

[Mais uma sobre a loucura]

Existem momentos na vida em que a loucura tem muito mais sentido em ser do que a mais pura lucidez.
Fiquei tão lúcida que me perdi em meus pensamentos.
Ah, que falta me faz enlouquecer...
Gosto de enlouquecer por alguns momentos. Parar e me perder em mim mesma.
E no mundo.
Antigamente, há não muitos anos, eu era possuidora de uma incrível capacidade de enlouquecer pelo tempo que bem entendesse. E me perdia em pensamentos sem sentido, por mais sentido que eles pudessem fazer. E me punha a apreciar a beleza das coisas - há algo mais insano do que perceber a beleza que uma única palavra pode ter?
Sim, sim, as palavras... Sempre foram elas as culpadas. As palavras que me apaixonavam, as paixões que me enlouqueciam, as loucuras que me perdiam.
Será que tudo pode ser mesmo assim escrito conjugado no pretérito imperfeito? Talvez melhor fosse usar o futuro do pretérito. "Apaixonaria"... "Enlouqueceria"...
Já é clara a minha paixão pelas palavras. O quanto elas me atraem, me hipnotizam, me excitam.
E talvez, às vezes - mas só às vezes -, eu enlouqueça sem ter a consciência de haver enlouquecido.
Será mesmo que um louco sabe o quão louco é?

por Tatiana

(Obs.: Acabei cedendo à minha antiga compulsão por criar blogs e fiz um com o intuito de ser realmente o meu diário de bordo. Ainda não postei nada novo lá, mas é bom que saibam o endereço: Diário de Bordo)

Desvairie Comigo
Desvairado por Mim, em 23:56

Sábado, Julho 26, 2008

Nunca quis, juro mesmo que eu nunca quis transformar este blog num diário. Mas, visto que a alternativa é deixar este blog morrer, prefiro contar o que anda acontecendo por aqui.
Sim, já faço isso no Fotolog. Mas, como explicar?... Hum... Aqui me sinto mais à vontade para falar sobre tudo.
Se o assunto se tornar muito maçante e vocês começarem a bocejar, "Alt+F4" é a serventia da casa.
A culpa não é minha por estar passando pela mais longa crise literária da minha vida. Juro, eu até tento pegar o livro que estou lendo (e, mêu... É Kafka!!! Kafka!!! Tipo... como eu posso não querer ler Kafka???), mas meus olhinhos começam a arder e me dá sono. Se os sintomas persistirem por mais tempo, vou procurar um especialista. Ou uma biblioteca.
Ah, sim, caso isso não faça o menor sentido para você, querido leitor que nunca passa por aqui, tente escrever algo quando se está há uns dois meses sem ler nada.
Agora sim, iniciando meu diário de bordo (sim, altamente inspirado pelo blog da Fê).


[Diário de Bordo - primeira parte]

Como contei aqui neste blog, estou do outro lado do mundo. Nova Zelândia, terra dos Kiwi-birds, das Kiwi-fruits e dos Kiwi-people. Não é falta de imaginação deles, é falta de variedade mesmo.
Cheguei no dia primeiro de junho, depois de quatorze horas chatíssimas de vôo. Tá bom, tá bom... Não foram tão chatas assim... Vim metade do tempo conversando com o Samir, um cara de Brasília que estava vindo passar quinze dias em Auckland. E que pegou meu MSN e nunca me adicionou... Enfim...
Das quatorze horas de vôo, duas (ou três?) foram de São Paulo a Buenos Aires. Graças às nuvens, não pude ter uma visão das luzes de São Paulo (São Paulo, São Paulo... minha cidade-luz...) como pensei que teria. Mas vi Buenos Aires. E o que posso dizer é que é uma cidade quadrada. As luzes são quadradas, os quarteirões são quadrados, os bairros são quadrados. Tudo parece milimetricamente medido para não deixar nada fora do quadrado ("ado... a-ado... cada um no seu quadrado..."). Tenho pra mim que deve haver virginianos demais naquela cidade. Mantenho distância.
Desci no aeroporto de Buenos Aires para enfim pegar o vôo para cá. Passei pelo raio-x novamente, mostrei meu passaporte para um simpático tiozinho que me deu "Bom Dia" em português, fui me encaminhando para o portão de embarque... Êpa! Que é isso? Querem revistar minha mochila? Tá, tudo bem... Tudo em nome do protocolo... Abro minha mochila, uma argentina de nariz empinado (pleonasmo?) dá uma olhada por cima e pergunta num portunhol desgraçado "Usted tiene algun baton?". Ao que eu prontamente (e inocentemente) abro minha bolsa para mostrar meu gloss cor-de-rosa de lojinha de 1,99 que já estava pela metade. A argentina de nariz empinado (pleonasmo... pleonasmo...)
simplesmente pega meu gloss e tira da bolsa. Até aí, tudo bem... Afinal, era só 1,99 e já estava acabando. De repente, ela vê algo a mais na minha bolsa, enfia a mão dentro dela e sai com a minha base 3 em 1 da Avon que eu tinha acabado de comprar por 30 reais da Tia Estela. Protesto "Mas é só uma base!", e ela "Usted tiene alguna sacola?". Numa última tentativa, abro aquela sacolinha plástica que guardo na carteira para casos de emergência, ao que ela responde "No, no... Zip-loc?". Minha esperança se esvai, fecho minha bolsa e saio revoltada com a argentina de nariz empinado (pleon... tá, já falei...).

Finalmente, sem gloss de 1,99 e base 3 em 1 da Avon, embarco no vôo número qualquer coisa da Aerolíneas Argentinas (também conhecida como "Viação Piracema" ou "aviões com goteira"). Doze horas, um enjôo, duas vomitadas e muita Coca-cola depois, aterrisso em Auckland, ilha Norte da Nova Zelândia. Feliz, feliz... Feliz o caramba, agora é que o bicho pega e a porca torce o rabo. Passar pela alfândega.
Muito bem, Tatiana... Muito bem... Calma, isso é normal, isso é normal... Coração na boca, mochila nas costas e bolsa com certos itens de maquiagem faltando, mostro meu passaporte à mulher. Ela pergunta o que vim fazer aqui. Turismo, vim passear durante as férias. Quem pagou a viagem? Meu pai, oras...
Fico esperando ela desconfiar da reserva fajuta de hotel, me mandar para a salinha da imigração para responder mil e uma perguntas, às quais eu certamente não saberia responder, entraria em desespero e seria mandada de volta para o Brasil em mais 14 horas de viagem estressante e... Ela carimba meu passaporte.
Pego os papéis, guardo tudo na mochila (ou tento, minhas mãos tremem tanto que cai tudo no chão). Vou até a esteira de bagagens, pego a minha (depois de muito esperar na esteira errada). Então, depois de quatorze horas, entro finalmente em solo Neo-Zelandês. Mas eu estava na Ilha Norte e precisava pegar ainda mais um vôo até chegar em Christchurch, onde finalmente meu namorado estaria me esperando para irmos para casa.

Procuro dentro do aeroporto o guichê da Qantas. Chego para a mulher e entrego o ticket eletrônico. Ela olha, olha, sorri para mim e diz algo muito parecido com "mistic". Eu "Céus, o que é que místico tem a ver? Será que eles acreditam nessas coisas por aqui?". Pergunto novamente, ela aponta para uma placa e diz: "You have to go to 'do mistic' airport". Eu "Tá que que 'do mistic' tem a ver com as calças?". Olho para onde ela aponta. "Domestic Flights". Ahhhhhh!!!! Agora tudo faz sentido... Ela manda eu seguir a linha branca no chão, eu ponho a mala num carrinho e vou. E vou. E vou. E vou. E continuo indo. E nada de aeroporto doméstico. E vou. Até que, depois de muito andar no frio de quem acabou de chegar de um país tropical em um outro quase dentro do Círculo Polar Antártico, encontro o tal do aeroporto doméstico.
Despacho a mala, pego minha mochila e subo as escadas. Passo pelo raio-x e... Quê? Querem xeretar minha mochila, de novo??? Bom, pelo menos agora não tem mais nada com que eles possam encrencar e... Quê? Meu chaveiro? Qual o problema com meu chaveiro? Sim, ele tem o formato de um shuriken, mas meu tio trouxe do Japão, não tem problema nenhum e... Ah, sim... Eles acham que eu posso matar alguém com o meu chaveiro. Segurando o riso por imaginar a cena, pergunto o que posso fazer. Ela diz para eu despachar minha mochila. Ótimo, só isso? Pelo menos não vão roubar meu chaveiro... Desço as escadas para despachar a mochila e... Excesso de peso. Rio na cara do tiozinho simpático do guichê, digo que tenho que despachar a mala por causa de um chaveiro. Ele olha para o chaveiro, olha para mim e diz "Dá o papel da mala que você já despachou que eu ponho seu chaveiro lá dentro". Quê??? Jura??? Feliz da vida, entrego o chaveiro e o papel da mala pra ele. Negócio resolvido.
Subo novamente as escadas, passo (novamente) pelo raio-x (não, ninguém encrencou com o meu pacote de absorventes... E olha que eu podia matar alguém com aquilo, hem?) e entro na sala de embarque. Vazia. Sento e fico esperando. Ansiosa demais para dormir. Espero, espero, espero... A sala começa a encher. A sala enche. Levanto da minha cadeirinha para esticar as pernas e quando volto não tenho mais cadeira. Sento no chão. Um casal joga dominó do meu lado. E eu espero. O outro vôo, que deveria sair meia hora depois do meu, sai. Ótimo, pra piorar meu vôo atrasa. A essa hora, o Ju já está esperando em Christchurch. Quase na hora em que eu deveria estar aterrissando, meu vôo sai. Mais uma hora e meia de vôo. Juro que depois dessa, não quero ver avião pelos próximos seis meses.

Chego em Christchurch, pego minha mala e de repente sou atacada por alguém que me abraça por trás. Sim, o Ju. Beijos, beijos, beijos e mais beijos. Vamos para o carro, o Eltoni nos deixa no hotel.
Sim, no hotel. Minha primeira noite na Nova Zelândia será em grande estilo. Suíte deliciosa, cama King Size, banheira. Aproveito tudo, inclusive a comida não-lá-muito-saborosa-mas-tá-valendo. Passeio em Christchurch, passo frio. Delícia.

E para a primeira parte do meu diário de bordo, já escrevi até demais. Sabe como é, às vezes me empolgo.
Volto em breve com a segunda parte.
Aos que leram até o fim, aguardem.

Tatiana Leutwiler

Desvairie Comigo
Desvairado por Mim, em 22:58

Domingo, Junho 29, 2008

[Um céu de Monet]

Estava particularmente triste naquela manhã. Não sabia o motivo e não conseguiria responder se lhe fosse perguntado. Acordara triste, com a impressão de que o dia ainda não começara.
Vestiu-se mecanicamente, como se suas mãos soubessem sozinhas o caminho de cada peça de roupa e ela não precisasse guiá-las. Andou de meias pela casa procurando algo que não sabia o que era.
A verdade é que aquela manhã estava diferente. Ela olhava ao redor tentando identificar o motivo, qualquer que fosse. Procurou por algo fora de seu lugar, mas tudo o que pôde ver foi a casa em perfeita ordem. Todas as almofadas sobre o sofá, o controle remoto da televisão colocado corretamente sobre a mesinha de centro, o tapete sem pontas viradas. Na cozinha alguém lavara e guardara toda a louça em seu devido lugar. Enfim, nada parecia fora do que deveria.
Acendeu as luzes do corredor. Era uma manhã escura, como todas as outras de inverno. O sol demorava a nascer, mas seu relógio biológico impedia que ela acordasse mais tarde. Olhou pela janela e muito pouco pôde ver além da camada branca sobre a grama. Nevara durante a noite. Bom, ao menos isso explicava ela ter acordado de madrugada para ligar o aquecedor.
Mas ainda não sabia o motivo de sua tristeza. Olhou para as casas vizinhas, e elas permaneciam no mais absoluto silêncio.
Resolveu sair.
Vestiu suas luvas, escolheu o primeiro cachecol que pôde alcançar, pôs seu casaco e enfiou de qualquer maneira suas botas de andar na neve. Duvidava que houvesse algum comércio aberto, mas pegou algumas notas a fim de comprar pão, caso encontrasse. Fechou a porta da frente e deu uma respirada funda antes de sair andando.
A manhã fria e escura aprofundou a tristeza que ela sentia, beirando à melancolia. Não havia uma única pessoa na rua. As luzes dos postes, acesas, iluminavam pobremente o que o céu escuro recusava-se a iluminar. Ela olhou ao redor, além das casas. Ao longe não havia horizonte, o negro do céu engolia o chão branco em algum ponto que ela não era capaz de definir.
Estacou os passos. Chegara a um pequeno parque destinado às crianças que saíssem da escola em frente. Nenhum poste era capaz de iluminá-la ali.
Sentou-se num balanço, procurando ao redor algo que pudesse ver. Mergulhou de olhos fechados em pensamentos sem importância por vários e vários minutos.
Voltou à consciência quando sentiu a claridade invadir suas pálpebras cerradas. Abriu os olhos devagar, evitando ser ofuscada. E num minuto sua melancolia deu lugar ao embevecimento.
O sol começava a lutar para nascer. Ela podia sentir as contrações do céu, enquanto a curva das montanhas começava a se abrir. A manhã ofegava, as nuvens de branco tentavam a todo custo ajudar naquele parto. O sol começou a aparecer silenciosamente. Lentamente, foi-se espalhando o vermelho-sangue sobre o lençol azul-celeste. Sobras de placenta amarela davam o ar de sua graça na mistura de fluidos coloridos que se formava. As nuvens vestiam-se de todas as cores que poderiam querer, preparando-se para as boas-vindas ao recém-nascido. O sol, por sua vez, saía de seu invólucro escuro atrás das montanhas. Era já quase parte deste mundo. As nuvens começaram a dançar, contorcendo-se em formas quase lúdicas para então se estenderem em mil formas, alinhadas e coloridas como se houvessem sido colocadas ali por algum pincel na gigante tela. Era enfim nascido o sol.
Ela permaneceu mais alguns minutos sentada naquele balanço, ouvindo a cidade acordar para receber o sol. Então se levantou suavemente, como se tomasse todas as precauções para não estragar aquele quadro.
Caminhou para casa com um sorriso nos lábios. Agora, sim, tudo estava em seu devido lugar.

por Tatiana

Desvairie Comigo
Desvairado por Mim, em 18:30

Segunda-feira, Junho 16, 2008

[Uma Breve Discussão]

E novamente aquela sensação terrível.
Não deveria falar tanto sobre assuntos tão subjetivos aqui, não é a intenção deste blog. Mas azar (ou sorte) de vocês. O blog é meu e escrevo nele sobre o que eu quiser.
É. Um pouco daquela velha necessidade de me sentir no controle. E outro tanto daquela já conhecida mania de falar sobre mim.
Agora agüentem.

Porque a dúvida dói às vezes mais do que a certeza. Porque a dúvida corrói, queima e destrói aos poucos, pedacinho por pedacinho.
E porque eu sou paranóica, obcecada e compulsiva. Não necessariamente nesta ordem.
Paranóica porque a dúvida existe. Obcecada porque todos meus pensamentos se voltam para a resposta. E compulsiva porque não consigo desistir.
"Just because you're paranoid don't mean they're not after you"

- Chega. Não há motivos para querer a resposta.
- Além de acabar com esta dúvida, não é?
- Mas você se tortura com esta dúvida. Desista, esqueça. Não há nada para saber, não sabe?
- Se soubesse não haveria dúvida.
- Mas ontem você disse que acreditava.
- Mas hoje já não estou tão certa assim.
- Por quê?
- Porque "estamos todos errados". Eu sei porque estou errada. E ele?
- Ele o quê?
- Qual seu erro? É a mentira?
- Não vê que ele faz isso só para provocar? Só quer deixar você exatamente como você está.
- Então parabéns, ele conseguiu.
- Algumas vezes você me deprime, sabe? Essa sua mania de sempre achar que tem algo errado.
- Eu não "acho". Ele disse.
- Para provocar, oras!
- Tem certeza?
- ...
- Vê? Nem você tem certeza.
- Mas não me torturo com a dúvida.
- ...
- Pare com isso. Não há futuro, apenas mais e mais dúvidas, mais e mais sensações terríveis. Você quer voltar a ser como era antes?
- Não. Aquilo foi horrível. E isso também é. Mas aquilo passou porque não restaram dúvidas.
- Ou porque você não se torturou com elas.
- Ah, chega! Não agüento mais você falando na minha cabeça! Deixe eu ficar com a minha dúvida em paz!
- Você jamais ficará em paz com esta dúvida.
- Por isso preciso saber.
- Não. Por isso você quer saber. Você não precisa saber e sabe disso.
- Então você. Você me diz agora: por nenhum momento a dúvida passa pela sua cabeça?
- Claro que passa. Mas eu não me deixo dominar por isso.
- E se tudo for mentira? E se tudo em que você acredita não passar de pura e deslavada mentira?
- Você sabe tão bem quanto eu que não é mentira.
- Será que sei?
- Vê? Você mesma cria minhocas para colocar na sua cabeça! Esqueça. Pare de pensar na dúvida. Agarre-se ao que você tem certeza.
- Nem sei mais se tenho alguma certeza.
- Agora é você que me irrita, sua emo depressiva do caramba... Não agüento mais ser seu muro de lamentações. Às vezes você consegue ultrapassar o limite da chatisse.
- Então me deixe sozinha!
- Você sabe que eu sempre estarei por aqui.
- Você precisa ser sempre tão racional?
- Só quando você resolve ser tão passional.
- ...
- ...

por mim e mim mesma

Desvairie Comigo
Desvairado por Mim, em 18:33

Sábado, Junho 07, 2008

[Coisas (não-tão) simples da vida]

Porque são pequenas coisas que me fazem feliz. Pequeninos flocos de neve, por exemplo.

Diretamente do outro lado do mundo. E não digo isto no sentido figurado, como quem diz "Oh, cruzarei sete mares em busca de meu amor!".
Não. Estou mesmo do outro lado do mundo, muito embora isto seja absolutamente relativo pois eu não estou do outro lado do mundo em relação a mim mesma, estou?
Mas, sim, em relação a você, caro e assíduo leitor, eu estou do outro lado do mundo. A não ser, é claro, que por uma incrível e adorável peça do destino, você esteja perdido pela terra dos Kiwis.
Ah, os Kiwis... Os adoráveis Kiwis... Tão singelos e meigos em suas casinhas de madeira, com carpete no chão e vasos de flores na porta...
Sim, está óbvio que me refiro aos Kiwis humanos, e não aos animais e menos ainda às frutas.
Certo, certo... Volte para a Terra, Tatiana... Você está perdendo comunicação com a Central.
Está bem, está bem... partamos então do princípio de tudo (e não me refiro aqui à célebre questão sobre o princípio da Vida, o Universo e Tudo Mais).
...
Está claro que precisarei de alguns minutos para colocar os pensamentos em ordem, não?
Certo. Contem comigo.

Um...

Dois...

Três...

...

Welcome to New Zealand!

Em outras palavras, estou escrevendo diretamente da Nova Zelândia. Mais precisamente, de um notebook sobre uma cama colocada numa sala por causa da presença indesejável de aranhas no quarto, numa casa em uma fazenda próxima a Rakaia, a cerca de uma hora de Christchurch, a maior cidade da ilha sul da Nova Zelândia.
Sim, eu realmente estou na Nova Zelândia.
Não, ainda não vi Legolas e Aragorns andando por aí. Mas não perdi as esperanças.

Mas... Hã? Como assim, o que estou fazendo na Nova Zelândia??? Por que não avisei, não mandei sinal de fumaça nem deixei a menor palavra por aqui mencionado tal fato?
Oras...
Não sei. Por que tudo precisa ter uma explicação?

Fato é: estou aqui, do outro lado do mundo em relação a você, vendo neve e montanhas do quintal da minha casa.
Legal, né?

É.

Mas, sabem?
Não tenho muito mais para comentar.
Pelo menos não agora.
Já repeti tantas vezes e para tantas pessoas as mesmas informações que simplesmente não tenho mais o que dizer por aqui.
Portanto, só.

por Tatiana

Desvairie Comigo
Desvairado por Mim, em 06:56

Quarta-feira, Maio 21, 2008

[Memórias de Calvário]

Era uma vez uma doce e meiga garotinha loirinha, magricela e dentuça. Ela tinha sete anos quando uma amiga foi brincar em sua casa e elas decidiram brincar de pular na cama. A menina da nossa história, caros leitores, estava com receio de pular, mas sua amiga a obrigou. Resultado: ela bateu com a cara na janela e estourou a boca.
E assim começou sua longa e dura jornada de visitas ao dentista.
Aos oito ela começou a usar aparelho móvel. Aos dez, o fixo. cinco anos depois, e sete após o início de nossa jornada, nossa menininha finalmente retirou os ferros dos dentes. Eles estavam retinhos, perfeitos, cada qual em seu devido lugar. Mas o dentista da nossa menininha, caros leitores, não colocou nenhum tipo de ferrinho para impedir que os dentes voltassem a ficar tortos. Ele apenas a alertou que deveria realizar uma cirurgia para extrair os sisos, que ainda nem haviam nascido.
Não é preciso dizer que nossa menininha recusou.
Antes que comece qualquer tipo de julgamento quanto à decisão da nossa menininha, talvez seja necessário acrescentar que ela, durante a longa jornada de sete anos de idas e vindas mensais no consultório odontológico, havia sido submetida à extração de praticamente todos seus dentes-de-leite e dois dos permanentes. Após tantos procedimentos, alguns podem julgar que ela deveria estar habituada, mas fato é que a cada extração nossa menininha se sentia mais e mais traumatizada. Ela odiava dentistas desde a mais remota memória que conseguia extrair de sua cabecinha, quando, na tenra idade de três ou quatro anos, sua mãe a levava ao dentista para aplicações de flúor.
Foram estes os motivos que a levaram, então, a recusar abortar os sisos quando assim lhe foi sugerido. Ela ainda tinha a vã esperança de que haveria espaço em sua arcada dentária para tais dentes. Tola e pueril menininha.
Eis que, passados enfim quase quatro anos, nossa menininha viu seus dentes outrora tão bem consertados pelo uso de aparelhos se deformarem, encavalarem e entortarem até chegar ao extremo que ela jamais imaginara.
Foi uma olhada no espelho que a fez decidir: sim, agora extrairia os sisos. Deixaria os traumas, medos e revoltas para trás e, estoicamente, andaria passo a passo rumo à cadeira de dentista para, de uma vez por todas, livrar-se deste mal.
E foi de cabeça erguida que ela entrou no consultório.

pela menininha da história

Desvairie Comigo
Desvairado por Mim, em 00:23

Segunda-feira, Maio 12, 2008

[Não saberia dizer, e a verdade era que muito pouco importava.]

Não era pessoa de se contentar em ser “uma”. Ou era “a”, ou não era. Não havia meio-termo.
Verdade é que sabia ser, no fundo, apenas mais uma, assim como todos os outros. Querendo ou não, era o que era e o que todos eram era apenas mais uma pessoa no mundo. Um pontinho escuro no meio da noite. Um gato pardo a mais num terreno baldio. Uma poesia a mais no mundo.
Há os que pensam ser as poesias únicas. Há quem diga que cada poesia é “a” e jamais “uma”. O que é esta senão a mais completa enganação?
Sim, para mim há “aquela” poesia. Mas e das poesias das quais nunca ouvi falar, das quais nunca ouvi um verso, o que são feitas delas? São mais “uma”. Apenas mais “uma”. Assim como “aquela”, que sempre será mais “uma”.
“Todas as cartas de amor são ridículas, não seriam cartas de amor se não fossem ridículas”
“O poeta é um fingidor, finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente”
“O amor é fogo que arde sem se ver”
“Ah, o amor... Que nasce não sei de onde, vem não sei como e dói não sei por quê”

Todas apenas mais “uma”.
E qual a importância deste texto?
Nenhuma... É apenas mais “um”.

por só mais alguém

Desvairie Comigo
Desvairado por Mim, em 23:14

Sábado, Maio 03, 2008

[Nova Repaginação]

Mais um template alterado por mim. Ainda faltam alguns ajustes, mas estou cansada de ver códigos HTML no momento.
Sim, estou numa tendência azul ultimamente. E estou aberta a opiniões, também.
Gostava muito do template antigo, mas enjoei.

Verdade é que não gosto muito da Comic Sans como fonte oficial, mas foi a que melhor se encaixou no espírito da cara nova. Enfim, se estiver muito cansativo para ler, me avisem.
Um perfil novo para colocar aqui do lado está em fase de construção, em breve arrumo.

Template apresentado, vou-me (já que ninguém anda vindo aqui ultimamente, mesmo...)

por mim

Desvairie Comigo
Desvairado por Mim, em 17:54

Terça-feira, Abril 29, 2008

[Dos confins do meu passado]

Sem assuntos para postar, sem muitas novidades e sem a continuação do meu conto, resolvi passear pelos confins do meu passado.
Cheguei até alguma data perdida em dezembro de 2003, quando eu iniciei minha jornada na vida blogueira. Quando eu mal sabia o que era um blog, como ele funcionava e que diabos eram códigos HTML. Meu primeiro (ok, ok... segundo... mas o primeiro de verdade viveu por algumas semanas e eu nunca cheguei a postar algo construtivo, então não conto) blog,
Nádegas a Declarar. Por um tempo eu postei bastante nele, expondo minhas idéias revolucionárias, minhas indignações adolescentes e alguns assuntos sem a menor importância. Hoje ele é apenas o meu depósito de profiles usados.
Mas voltei até 2003 e encontrei o meu perfil no Nádegas. Vi algumas coisas interessantes, outras que me fizeram dar risada de mim mesma, outras que me envergonharam. Enfim, uma pequenina parte da minha (não-tão) saudosa adolescência.
Achei que seria interessante, então, dividir com meus assíduos e ávidos leitores a minha mudança:

Dezembro de 2003:

Nome: Tatiana da Silva Sauro Menezes de Albuquerque Townsend de Lioncourt Depp Oldman Mapother e Silva
[Quase não se nota a influência de Stuart Townsend, Lestat de Lioncourt, Johnny Depp, Gary Oldman, Tom (Mapother) Cruise e Família Dinossauro. Esse "Menezes de Albuquerque" eu não consigo lembrar de onde tirei.]

Idade: 16 invernos, 16 primaveras, 16 verões e 15 outonos.
[Nota-se pela puerilidade]

Sexo: Ainda não.
[Idem ao anterior]

Signo: Leão com ascendente em Escorpião.
[Com muito orgulho, devo acrescentar]

Horóscopo Chinês: Dragão com ascendente em Serpente.
[Uhum]

Horóscopo Egípcio: Rá, o Deus-Sol.
[Alguma dúvida de que seria isso?]

O que gosto de fazer: Qualquer coisa que me mantenha longe desse calor infernal, viajar, por exemplo. De assistir filmes, novelas, seriados, desenhos animados (menos animes) e ler gibi da Turma da Mônica (é um vício, e daí?). Ah! Também gosto de ouvir música e ficar criando blogs idiotas como esse.
[Este calor infernal que eu volto a experimentar depois de dois anos. Mas agora, ao menos, eu não visto mais aquela jaqueta jeans preta e o gorro de lã. Ainda adoro assistir filmes, seriados (HOUSE!), desenhos animados (mas agora admito alguns animes também), ler gibis da TdM e ouvir música. Mas minha compulsividade por criar blogs idiotas passou, graças!]

O que não gosto de fazer: Tudo o que me deixa estressada, qualquer tarefa doméstica, assistir TV em domingos e usar Net discada.
[Hum... Engraçado, eu ainda não gosto de fazer coisas que me deixam estressada. Mas agora essa lista diminuiu, e muito. Tarefas domésticas ainda não são meu forte, TV em domingos já foi descartada e Net discada... bom, isso ainda existe?]

Ídolos: Ozzy Osbourne, Hal Patino, Álvares de Azevedo, Lord Byron, Morgana (do Rei Arthur).
[Hum... Eu gostava de um depósito ambulante de drogas e de um baixista do qual eu não sabia absolutamente nada. Maneco continua sendo um dos meus preferidos. Lord Byron... cara, eu até hoje nunca li nada dele, como coloquei ele aí? Morgana é uma mulher a ser admirada. Mas não, não. Alguma dúvida de que minha resposta atual seria Johnny Depp e Tim Burton?]

Música Preferida: "The Phantom of The Opera", Nightwish.
[É... tá... passável, vai.]

Comida Preferida: Macarronada à bolonhesa, que eu faço muito bem, mas prefiro a da vovó.
[Agora prefiro a do namorido. E não só macarronada.]

Filme preferido: No momento "O Último Samurai", mas amanhã pode mudar...
[Eu tinha acabado de ver no cinema, então dei um desconto. Mesmo porque o filme é bom, até.]

Programa de TV preferido: "The Osbournes", da MTV.
[Ah, foi a época em que eu tava viciada no depósito de drogas ambulante... Alguém duvida que eu responderia House hoje?]

Livros preferidos: O Vampiro Lestat, Harry Potter, Os Sete, Sétimo, O Mundo de Sofia, As Brumas de Avalon, Christiane F., No Verão de 42, etc.
[Lestat, Harry Potter, Sofia, As Brumas... Agora me diz que diabos Christiane F. tá fazendo aí? Senhor, tende piedade desta pobre criatura...]

Bandas Favoritas: Marilyn Manson, Static-X, Nightwish, King Diamond, Pink Floyd, Black Sabbath, Iron Maiden, Shaman, Legião Urbana, Barão Vermelho, Titãs, etc.
[Marilyn Manson, Pink Floyd, Barão Vermelho. Destes, são os que continuam na lista. Não que não goste dos demais, mas não estão no meu Top10.]

O que faço no momento: Tento me acostumar a ter aulas aos sábados.
[Nunca cheguei a me acostumar totalmente]

Como me sinto no momento: Feliz por ter terminado de ler "O Vampiro Lestat" e triste por ainda não ter comprado "A Rainha dos Condenados".
[Interessante.]

O que farei daqui a alguns anos: Vou passar em Cinema na UnB, morar numa república ou apartamento próprio, ter um gato preto de olhos azuis e ganhar na megasena acumulada para pagar meus estudos e poder ir trabalhar no exterior (qualquer país que não sejam os EUA).
[Huahuahuahua!!! Pobre criaturinha ingênua!!!]

Por que criei esse blog: Porque estava numa tarde entediada sem ter nada pra fazer, então resolvi testar meus dotes blogueiros.
[Bom, não posso negar que foi isso que me levou a criar o Nádegas. Mas o Desvairios foi movido por uma vontade interior de exteriorizar o que se passava na minha mente lúcida demais.]

Homens bonitos: Stuart Townsend (Não sabe quem é? Azar o seu.), Johnny Depp, Tom Cruise, Keanu Reeves, Antonio Banderas, Rodrigo Santoro, Gabriel Braga Nunes, Bruno Garcia, Wagner Moura, André Matos (vocalista do Shaman), , etc
[Townsend é muito menino, Tom Cruise ficou ridículo com a namoradinha nova, Keanu Reeves... Tá, é bonito. Wagner Moura não faz meu tipo e André Matos está muito gordo. Os demais continuam na lista.]

Atores de Talento: Anthony Hopkins, Al Pacino, Sean Connery, Johnny Depp, Stuart Townsend, Keanu Reeves, Antonio Banderas, Gary Oldman, Paulo Autran, Rogério Cardoso, Thiago Fragoso, Miguel Thiré, etc.
[Johnny Depp. Fora, Stuart Townsend. O resto (mesmo os que morreram desde então) podem continuar, são bons, mesmo.]

Piores Filmes: Fora os do Harry Potter, "Dr. T e as mulheres", "Um Show de Verão", "A Rainha dos Condenados", "Drácula 2000".
[Posso acrescentar "Sangue Negro" na lista, posso?]

Piores Músicas: "Deixa Disso", do Felipe Dylon, todas as de Funk, Sertanejo, Pagode, Samba e Axé. Ah! E as de Sandy e Junior também.
[Grande hipócrita que eu era... Sempre cantei as músicas de Sandy e Júnior. Sertanejo Raiz é gostoso de se ouvir num final de tarde, com um violeiro e um sanfoneiro. Samba é gostoso. Funk não pode ser generalizado, Fernanda Abreu é funk mas é ótima. Pagode e Axé continuam sendo lixo.]

O que diria para quem visita meu blog: Parabéns! Vocês deviam ganhar o troféu Saco de Ouro!
[Definitivamente, para agüentar tanta bobagem...]


Não sei vocês, mas eu adoro fazer estas reavaliações de mim mesma.

por Mim Mesma, oras, bolas!


Desvairie Comigo
Desvairado por Mim, em 15:33

Domingo, Abril 27, 2008

Hoje não venho por algo meu. Venho por algo que, por não ser meu, torna-se intimamente familiar. É como ver de relance alguém que se parece muito com você mesmo. Por um momento você pensa que talvez não esteja onde pensa que está e sim onde vê que está, ou pensa que viu, ou não viu... Venho por algo que é não sendo, diz desdizendo e tem como principal tema o mesmo objeto abjeto desta introdução: a falta das palavras já ditas.

[Tempestade de Almas]

Ah, se eu sei, não nascia, ah, se eu sei, não nascia. A loucura é vizinha da mais cruel sensatez. Engulo a loucura porque ela me alucina calmamente. O anel que tu me deste era de vidro e se quebrou e o amor não acabou, mas em lugar de, o ódio dos que amam. A cadeira me é um objeto. Inútil enquanto a olho. Diga-me por favor que horas são para eu saber que estou vivendo nesta hora. A criatividade é desencadeada por um germe e eu não tenho hoje esse germe mas tenho incipiente a loucura que em si mesma é criação válida. Nada mais tenho a ver com a validez das coisas. Estou liberta ou perdida. Vou-lhes contar um segredo: a vida é mortal. Nós mantemos esse segredo em mutismo cada um diante de si mesmo porque convém, senão seria tornar cada instante mortal. O objeto cadeira sempre me interessou. Olho esta que é antiga, comprada num antiquário, e estilo império; não se poderia imaginar maior simplicidade de linhas, contrastando com o assento de feltro vermelho. Amo os objetos à medida que eles não me amam. Mas se não compreendo o que escrevo a culpa não é minha. Tenho que falar pois falar salva. Mas não tenho uma só palavra a dizer. As palavras já ditas me amordaçaram a boca. O que é que uma pessoa diz à outra? Fora "como vai?" Se desse a loucura da franqueza, que diriam as pessoas às outras? E o pior é o que se diria uma pessoa a si mesma, mas seria a salvação, embora a franqueza seja determinada no nível consciente e o terror da franqueza vem da parte que tem no vastíssimo inconsciente que me liga ao mundo e à criador inconsciência do mundo. Hoje é dia de muita estrela no céu, pelo menos assim promete esta tarde triste que uma palavra humana salvaria.
Abro bem os olhos, e não adianta: apenas vejo. Mas o segredo, este não vejo nem sinto. A eletrola está quebrada e não viver com música é trair a condição humana que é cercada de música. Aliás, música é uma abstração do pensamento, falo de Bach, de Vivaldi, de Haendel. Só posso escrever se estiver livre, e livre de censura, senão sucumbo. Olho a cadeira estilo império e dessa vez foi como se ela também me tivesse olhado e visto. O futuro é meu enquanto eu viver. No futuro vai ter mais tempo de viver, e, de cambulhada escrever. No futuro, se diz: se eu sei, eu não nascia. Marli de Oliveira, eu não escrevo cartas pra você porque só sei ser íntima. Aliás eu só sei em todas as circunstâncias ser íntima: por isso sou mais uma calada. Tudo o que nunca se fez, far-se-á um dia? O futuro da tecnologia ameaça destruir tudo o que é humano no homem, mas a tecnologia não atinge a loucura; e nela então o humano do homem se refugia. Vejo as flores na jarra: são flores do campo, nascidas sem se plantar, são lindas e amarelas. Mas minha cozinheira disse: mas que flores feias. Só porque é difícil compreender e amar o que é espontâneo e franciscano. Entender o difícil não é vantagem, mas amar o que é fácil de se amar é uma grande subida na escala humana. Quantas mentiras sou obrigada a dar. Mas comigo mesma é que eu queria não ser obrigada a mentir. Senão, o que me resta? A verdade é o resíduo final de todas as coisas, e no meu inconsciente está a verdade que é a mesma do mundo. A Lua é, como diria Paul Éluard, éclatante de silence. Hoje não sei se vamos ter Lua visível pois já se torna tarde e não a vejo no céu. Uma vez eu olhei de noite para o céu circunscrevendo-o com a cabeça deitada para trás, e fiquei tonta de tantas estrelas que se vêem no campo, pois, o céu do campo é limpo. Não há lógica, se se for pensar um pouco, na ilogicidade perfeitamente equilibrada da natureza. Da natureza humana também. O que seria do mundo, do cosmos, se o homem não existisse. Se eu pudesse escrever sempre assim como estou escrevendo agora eu estaria em plena tempestade de cérebro que significa brainstorm. Quem terá inventado a cadeira? Alguém com amor por si mesmo. Inventou então um maior conforto para o seu corpo. Depois os séculos se seguiram e nunca mais ninguém prestou realmente atenção a uma cadeira, pois usá-la é apenas automático. É preciso ter coragem para fazer um brainstorm: nunca se sabe o que pode vir a nos assustar. O monstro sagrado morreu: em seu lugar nasceu uma menina que era sozinha. Bem sei que terei de parar, não por causa de falta de palavras, mas porque essas coisas, e sobretudo as que eu só pensei e não escrevi, não se usam publicar em jornais.

por Clarice Lispector (a tradutora da alma feminina)

Nota: Já falei muitas vezes sobre este texto, mas nunca havia conseguido encontrá-lo. Pois ei-lo.

Desvairie Comigo
Desvairado por Mim, em 17:19

Quinta-feira, Abril 24, 2008

[Trim-trim!]

- Alô?
- Sim, pois não?
- Pois não o quê?
- Pois não, pois não? Não pôs?
- Quer falar com quem?
- Com quem? Não, não com o Ken... A Barbie não está?
- Engraçadinho... Eu vou desligar!
- É bom mesmo desligar o fogão... A panela tá queimando...
- !
- ...
- ...
- Já voltou?
- Como você sabia que a panela estava queimando?
- Todas as panelas queimam. Elas são feitas para isso.
- Isso não diz a você que eu estava com uma panela no fogo.
- É que eu sou o Senhor do Fogo!!!
- ...
- Queimou o jantar?
- Não, desliguei a tempo.
- Bom mesmo, comida queimada é horrível.
- Quem tá falando, hem?
- Você viu o capítulo de hoje da novela?
- ...
- A Maria se declarou para o José. Até que enfim, eu já tava cansando de esperar...
- Ah é? Nossa, não deu pra eu ver hoje... Fui à missa.
- Ah, você vai à missa? Que bom... É sempre bom seguir uma religião, né?
- Missa de sétimo dia do cunhado da minha prima.
- Ah...
- Quem tá falando?
- Missas de sétimo dia são tristes. Eu nunca vou. Mandou flores para a família e digo que precisei trabalhar até tarde.
- Eu ia fazer isso, mas minha tia veio me buscar pessoalmente.
- Então você não vai às missas normalmente?
- Costumava ir quando era mais nova... Mas depois de um tempo deixei de ver o sentido nisso tudo.
- Por quê? Aconteceu alguma coisa?
- Não... E estranho é que as pessoas sempre pensam que precisa ter acontecido alguma coisa para você deixar de ver sentido na religião.
- É o que geralmente acontece...
- Mas não, não... Eu simplesmente deixei de acreditar. Olhei para o Cristo de madeira pendurado no altar e me dei conta de que ele não me dizia nada. Era apenas um Cristo de madeira. Sabe quando você repete muito uma palavra e ela deixa de fazer sentido? Então... A sensação foi parecida...
- ...
- Você segue alguma religião?
- Não acredito em Cristos de madeira.
- É... Nem eu. Não sinto necessidade de acreditar. É como se...
- ... não fizesse diferença.
- É. Isso mesmo. Que diferença faz eu acreditar ou não? Duvido muito que haja um Deus que nos criou para adorá-lo. Seria teocentrismo demais da parte dele.
- Eu já vi Deus.
- ...
- E quarenta mil anjos ao seu redor.
- Num sonho, né?
- Não... Foi mais como uma visão.
- E como foi?
- Foi... Mágico.
- Como você viu? Como ele estava?
- Não sei dizer. Apenas estava. Difícil entender, né?
- Deve ser. E ele disse alguma coisa?
- Disse... Mas não foi exatamente como dizer. Foi de uma forma estranha, como se as palavras Dele fossem postas na minha cabeça.
- E o que ele disse?
- Tudo ficou muito claro, muito claro. E, com aquela voz silenciosa, Ele disse: "Deus não existe".
- ...
- ...
- Afinal, quem tá falando?
- Sou eu.
- Quem é você?
- Deus.
- ...
- ...
- Você não esperou que eu acreditasse nessa, né?
- Não, eu sabia que você não ia acreditar. Assim como sabia que a panela ia queimar.
- Tá bom... Com quem você quer falar?
- É da casa do Noé? Preciso avisar sobre um dilúvio...
- Não, não tem nenhum Noé aqui.
- Ah, então desculpa. Foi engano.
(Clanc!)

by someone

Desvairie Comigo
Desvairado por Mim, em 23:23

Quarta-feira, Abril 16, 2008

Albert acordou, mantendo os olhos fechados. Fez as três perguntas básicas de antes de se levantar:
- Quem sou eu?
Ah, sim. Sou Albert.
- Com o que estava sonhando?
Sonhando, sonhando... Vejamos, não me lembro muito bem... Era algo estranho, só sei disso. Acho que eu estava com medo.
- Onde eu estou?
Ora, estou em casa, pergunta mais besta!
Sentou-se na cama e abriu os olhos. Piscou duas vezes para ter certeza do que estava vendo. Não se convenceu. Esfregou os olhos, deu uma risadinha ("Vamos, Albert, já é hora de acordar...") e voltou a abri-los. O sorriso se desmontou em forma de "O" enquanto ele tentava entender o que via.
Era uma luz. Ou não era? Era claro, muito claro. Parecia sim uma luz. Levantou-se da cama e caminhou até a figura. Deu uma volta ao redor daquela luz que não era luz e brilhava suspensa do chão bem no meio de seu quarto.
Seu quarto? Não, não. Albert sufocou um grito ao ver as paredes se encolherem sobre ele. Aquele não era seu quarto, definitivamente. Mas acabara de se levantar de sua própria cama, disso tinha certeza. A cama estava lá, logo atrás dele. Virou-se só para ter certeza.
Sim, a cama estava lá. E era a cama dele. Verdade que não se lembrava de haver pendurado aqueles pompons cor-de-rosa na cabeceira, mas era sim a sua cama.
Ah, mas era a luz! Era aquela luz que não era luz que ele estava olhando. Precisava descobrir o que era, afinal. Voltou-se para o local de onde a luz se sustentava.
Tentando ignorar as paredes que se moviam como se tivessem vida, Albert se aproximou, observando atentamente. Tinha a nítida impressão de que aquela luz estava – por mais loucura que isto parecesse – olhando diretamente para ele.
Circundou novamente a luz, sentindo os olhos que não via seguirem-no. Pulou na cadeira e voltou para o chão, só para se certificar de que os olhos o seguiriam. E o fizeram.
"Certo, certo... Albert, já chega de sonhar..."
Deu-se um forte beliscão que doeu muito, como que para dizer-lhe que não estava sonhando.
Voltou à luz, absurdamente curioso. Estendeu os braços e tocou-a.
Foi como se fosse engolido por aquela luz. Na verdade, sugado. Como se aquela luz o sugasse para dentro de si, de um lugar cheio de luz que não era luz.
Ele rodopiou e rodopiou várias e várias vezes antes de ir de cara no chão. Sentiu as folhas secas bem diante de seu nariz. Já havia estado naquele lugar, conhecia aquelas folhas.
Levantou-se. Viu a luz bem diante de si. Já não era mais como um luz que nunca fora. Agora tinha formas. E olhos.
Albert sentiu-se perdido. Não sabia se deveria sentir medo ou não. Algo dentro dele, algo que não podia explicar e não se lembrava de onde vinha, dizia-lhe que já tivera medo daquilo. Mas a verdade é que já não tinha medo algum.
Olhou para as árvores e folhas ao redor e lembrou-se de tudo e seus olhos se arregalaram quase ao mesmo tempo em que pôde ouvir a luz que não era luz cantando lentamente:
“Se eu roubei... se eu roubei... teu coração...”

Continua...

por vocês sabem quem.

Desvairie Comigo
Desvairado por Mim, em 16:51

Sexta-feira, Abril 11, 2008

[Mais um Sonho... E que Sonho!]

Algum lugar parecido com a frente da igreja de Águas. Eu e Karol sentadas no chão, olhando algo na frente. Olhamos para trás, Johnny Depp está sentado atrás de nós, encostado numa árvore. Nós olhamos discretamente para ele, sem coragem de puxar assunto. Começamos a falar sobre ele no maior volume, e ele fica nos observando.
De repente surge um menino de uns 6 anos, de cabelos muito pretos na altura dos ombros, sentado entre nós duas e ele, sobre uma poça d'água (que pertencia ao menino).
Johnny se interessa pelo menino. Ele fica olhando fixamente para o menino por um bom tempo. Eu me viro para o menino e falo com ele. Pergunto se está tudo bem, se ele precisa de alguma coisa. Johnny sorri (daquele modo maravilhoso!) e fala com o menino em francês. Eu olho para Johnny, sorrio e digo baixinho:
- I don't think he can speak French.
Ele se aproxima de nós duas.
- Sorry, what did you said?
Eu tomo coragem, respiro fundo e repito de forma que ele possa ouvir. Ele ri, olha para o menino. Ele me pergunta algo, e nesse momento meu coração começa a disparar tão forte que eu tenho medo de que ele consiga ouvi-lo. Karol também conversa com ele, sempre em inglês. O menino de cabelos pretos desapareceu, como que pulverizado no ar.
Johnny senta-se ao nosso lado enquanto conversamos. Eu aproveito para dizer o quanto eu sou apaixonada por ele, o quanto eu adoro seus filmes. Ele fica sem graça, dá um sorriso tímido e diz:
- Yeah... “The number one!”...
Eu rio e digo:
- You know, I've seen many of your films. I know that there are many great, enormous, HUGE actors, but you are my preferred one 'cause you are... wierd! And I love it!
Ele ri baixinho e continuamos a conversar (eu, ele e Karol). Estamos conversando um assunto filosófico de alta importância de que eu não lembro nem mesmo uma parte agora...
De repente ele levanta, querendo ilustrar o que estava falando. Pega um vaso de girassóis e os levanta dramaticamente do chão, dizendo algo em francês que a Karol entende mas eu não. Ele pega o vaso, tira do chão e coloca numa mesinha. Quando termina, ele olha para nós duas e percebe que eu não entendi. Ele então repete os movimentos e fala em português algo como:
- Não importa quão bela seja uma flor quando plantada. Se a arrancamos, ela murcha e morre. Por outro lado, se lá a deixarmos, ela vai murchar e morrer sozinha.
(Talvez um dia eu entenda o valor filosófico disso. E mande para o Johnny Depp, afinal o autor foi ele.)
Ele volta a se sentar com a gente. Conversamos mais um tempo, sobre família e coisas do tipo. Eu peço para tirar uma foto com ele, para poder guardar. Ele faz uma cara de decepcionado, mas diz que vai continuar mais tempo no Brasil e que quer nos ver de novo em uma semana, no mesmo lugar.
E eu acordo.

Em uma semana, no mesmo lugar? Certo, certo... Estarei lá!

(Se acordada ando sem inspiração, não posso dizer o mesmo quando estou dormindo...)

acabou de ser sonhado por Tatiana Leutwiler

Desvairie Comigo
Desvairado por Mim, em 12:45

Terça-feira, Abril 08, 2008

[O procedimento da mulher tântrica]

A mulher tântrica é mais sensual do que as mulheres comuns, por ser menos reprimida. Permite-se usar roupas mais provocantes, olha com profundidade nos olhos dos homens e toca seus amigos com uma liberdade que a dona de casa pós-feudal não tem.

No relacionamento conjugal ela não fica esperando que o homem a procure sempre que ele quiser. Afinal, ela não é seu objeto. Tem vontade e tem desejo. Ou num determinado momento não o tem. É preciso que o companheiro possa perceber a diferença. Se ela sistematicamente não o procurar, ou procurá-lo pouco, ele jamais saberá o quanto ela o deseja.

Os homens muito freqüentemente têm a sensação de que não são desejados, pois as mulheres não manifestam seus sentimentos com a mesma expansividade que eles. Por que o homem tem que ir sempre à mulher? Num baile é o cavalheiro que vai tirar a dama para dançar. Por que a mulher não pode convidar o homem? Certa vez, numa festa, uma desconhecida convidou-me para dançar. Senti-me tão lisonjeado que a sensação de acolhimento acariciou-me o ego durante meses.

Portanto, se a mulher tântrica desejar aproximar-se de um homem, que não fique bancando a Cinderela e vá à luta. Contudo, a mesma educação, sensibilidade, delicadeza e senso de oportunidade que se exige do homem, também ela deverá exercer.


Então tá...

Não morri, não sumi, nem desisti deste blog. Só estou numa escassez de inspiração. Aliás, esta escassez, ao que me parece, está mais para uma epidemia pior do que a dengue. Está atacando todo mundo, não tem deixado ninguém sobreviver.
Enfim... Minha criatividade continua em alta, mas sem inspiração não ajuda muito...
Rezem para que ela volte!

por alguém não muito inspirado

Desvairie Comigo
Desvairado por Mim, em 02:50